Com os reality shows culinários cada vez mais populares e recorrentes nos canais de televisão abertos e fechados, a preferência pelo gourmet nunca esteve tão em alta. Compartilhar imagens de comidas no Instagram e acompanhar receitas em canais do YouTube está cada dia mais em alta. O brasileiro está se “gourmetizando” e o seu paladar também.

Aproveitando essa onda e o novo gosto do público, por que não valorizar também a culinária nacional? Antigamente, acreditava-se que o gourmet estava associado à culinária francesa, não só pela etimologia da palavra, mas por se achar que um restaurante, para ter esse título, precisava ter algo de diferente. Gourmet sempre foi sinônimo de preços mais altos, assim como a comida francesa. Hoje, vemos que não é bem assim, podemos transformar qualquer tipo de comida em algo gourmet.

Mas, o que torna uma comida gourmet? O estímulo visual é o que primeiro influenciará seu consumidor, por isso mesmo, a primeira coisa que seu prato precisa ter é uma aparência impecável, com cores que saltam à vista e agradam o cliente. O segundo estímulo é o olfato – que está intimamente ligado ao estímulo primordial de um alimento, o paladar.

O Brasil possui uma enorme variedade de ingredientes de qualidade. Não precisamos mais apelar para farinhas de amêndoas ou aspargos brancos pelados para tornar o seu prato sofisticado. Inovar na comida do dia a dia, o “arroz com feijão”, é o que demonstra o potencial de um restaurante alcançar o sucesso. Os sabores do nosso país são uma das coisas que o tornam tão especial, escolher ingredientes do Norte ou do Centro do Brasil valoriza não só sua comida, mas valoriza o que é o seu país.

Ser mais um chef que faz um filet mignon perfeito pode até ter funcionado nos restaurantes de antes. Mas, com um público como o de hoje, influenciado pelos reality shows e pelas redes sociais, buscar um diferencial é o que funcionará. Foi pensando nisso que o chef Alex Atala, dono de um dos melhores restaurantes nacionais, começou a optar pelo uso de ingredientes nacionais em sua cozinha, usando técnicas internacionais para gourmetizá-los. O foco do prato parou de ser a proteína pois ele sofisticou os vegetais, usando banana da terra, palmito de pupunha, tucupi, urucum, jaca e outros alimentos tupiniquins.

Outros chefes, inclusive de renome internacional, começaram a buscar no nosso país maneiras de inovar em sua gastronomia. Trabalhando em uma roupagem da Alta Gastronomia, o chef Claude Troisgros, utiliza peixinho, pequi, cupuaçu e outros tipos de alimentos que só encontramos por aqui.

O uso dos ingredientes nacionais faz com que o alimento seja mais próximo do cliente, e a inovação da gourmetização se alia ao conforto do familiar. Encontrar o equilíbrio na sofisticação dos ingredientes nacionais pode ser exatamente o que faz um chef único.